October 28, 2011

Com a guerra que vai lá fora, é melhor irmo-nos habituando...


O momento da decisão é um momento de impiedade. Escolhemos aquilo que é bom para nós, e os outros que se aguentem. Há com certeza excepções altruístas, ocasionais ou reincidentes, mas em geral é cada um por si. A nossa decisão muitas vezes não tem mal nenhum, o mundo continua todo exactamente como dantes, fica tudo esquecido num instante. Mas há decisões que afectam toda a vida de terceiros, de alto e baixo, e durante anos. Quem dispõe com impiedade da vida dos outros está no seu legítimo direito, mas também ter que ser homenzinho (ou mulherzinha) suficiente para aguentar o embate. Não falo de vinganças, que é coisa que detesto, ou de ressentimentos, que talvez sejam ainda piores que a vingança; o que eu digo é que quem dá uma navalhada tem de estar disposto a conviver com a cicatriz na cara de quem esfaqueou. Seria grotesco que protestasse contra a cicatriz, por inestética e ofensiva, quando segurou a arma branca que rasgou o rosto alheio. A impiedade da decisão tem de ser obrigada a conviver com a impiedade dos resultados da decisão. É um espectáculo lamentável? Ah, só reparaste agora?
Pedro Mexia

October 25, 2011

voltei há 3 meses...

...desde então, tenho só estado a observar ;)

"quando na hora é verão(...)
 há uma viagem que espera o amanhã

de que cor será o dia quando
fechares as janelas da casa?

com histórias na mão dizer viajar
é uma forma de ensaiar regressos

a fala como ponto de fuga
quando ainda não se sabe a cor dos pássaros"

 [Maria Sousa]